sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Carta para o Reitor da UFG

Prezado senhor reitor da UFG,

Sem dúvida o assunto do momento; as cotas, reservadas a alunos de escola pública e a negros, levaram-me a escreve-lhe. A revolta é apenas previsível em alguém que, há dois anos, batalha para conseguir uma vaga. Peço-lhe, portanto, que me ouça mesmo que eu apenas repita o senso comum.

Devemos, primeiramente, notar que, de acordo com a Constituição brasileira de 1989, somos todos iguais perante a lei. Devemos, logo, receber tratamentos iguais. As cotas, por isso, mostram-se questionáveis, pois violam o artigo 5° dos direitos fundamentais do indivíduo. Essa universidade, como uma instituição federal, deveria, logo, assegurar as leis e procedimentos que regem nossa sociedade.

É preciso, ainda, dizer que o programa de cotas, apesar de sua intenção de incluir os indivíduos que se encontram à margem da sociedade, nada trará alem do preconceito, da exclusão e do ódio. Não é admissível sanar as injustiças existentes por meio de outras. É preciso que lutemos por um país onde todos tenham oportunidades, direitos e deveres iguais. Não devemos, portanto, escolher um restrito grupo a ser beneficiado enquanto vários outros setores da sociedade serão excluídos e prejudicados por tal benefício. É notório que essa é uma solução que trará mais malefícios que bens; pois, ao aceitar o programa de cotas, a idéia de superioridade intelectual e competitiva de certos grupos sociais sobre outros fica implícita. Tal política dissemina, portanto, a prática do racismo e estimula o ódio mútuo entre as diferentes classes brasileiras.

Peço, portanto, que essa política seja revista, pois desde pequenos somos ensinados a pensar que a democracia, regime político que rege nosso país, assegura que os direitos de um cidadão apenas terminam aonde começam o de seu próximo. Por que ferir então a liberdade de nossa gente? Por que privar um direito que é inerente a todos os cidadãos brasileiros? A justa e igualitária competição deve ser o programa de seleção à universidade e não o descriminante sistema de cotas.

Falo, ainda, na possibilidade de criar novas vagas, em todos os cursos, destinadas exclusivamente às classes menos favorecidas. Esse seria o método, mesmo que desigual, mais justo para com a sociedade como um todo.

Despeço-me com o artigo 3° dos direitos fundamentais do indivíduo: "IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Atensiosamente,

Augusto

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